Olá! Tudo bem? Eu espero que sim!

Nunca me apresentei assim, mas dado o tema, achei melhor adiantar: meu nome é Isabella e eu sou autista nível 1 de suporte.

Mesmo não sendo o primeiro tópico, o diagnóstico geralmente surge cedo nas minhas conversas. E com ele algumas perguntas que eu nunca sei responder de uma forma completa e que faça sentido. Por isso, decidi escrever esse artigo.

Em alguns pontos, vou precisar incluir experiências de amigas e breves explicações sobre o TEA. Não vou me dedicar às fontes dos dados, mas de antemão aviso que não são informações enviesadas ou de apenas um estudo, vídeo curto, profissional ou livro. Tenho me dedicado a aprender!

Quando eu tive o diagnóstico de autismo

Em 2022, conheci minha psicóloga, uma especialista no transtorno que me passou alguns testes e, após algumas seções de terapia, confirmou a suspeita da minha mãe. O laudo veio em 2023, com mais testes e seções de terapia com uma psiquiatra.

A irmã dessa psicóloga foi diagnosticada como autista com mais de 60 anos de idade, uma vida familiar e carreira consolidadas. Eu não me lembro de ter perguntado diretamente, mas acredito que isso fez surgir o interesse dela no assunto.

Por que eu fui atrás de um diagnóstico

A suspeita da minha mãe de que eu pudesse ter Síndrome de Asperger, eventualmente englobada no nível 1 de suporte do autismo, veio por conta de alguns comportamentos meus no ano de 2021.

Naquele momento específico, eu tinha mudado de emprego havia pouco tempo e estávamos no meio da pandemia. Naturalmente, uma situação que demanda mais de qualquer pessoa.

O novo emprego era em uma indústria, com cheiros e barulhos diferentes dos que eu conhecia e mais fortes do que eu conseguia aguentar sem me afetar. A crise sensorial engatilhada por esses estímulos me fazia chegar em casa e bater (socar) a parede, numa tentativa de que o meu cérebro se ocupasse com a dor na mão em vez de com processar tudo do meu dia.

Aliado a isso, o medo de desviver por conta do vírus e o próprio trajeto de dois ônibus para cada trecho estava me deixando exausta.

Era um bom emprego, com bom salário, bons colegas e um bom chefe. Por isso, eventualmente, me adaptei.

Transtorno

O autismo é chamado de transtorno do espectro autista. Transtorno significa sofrimento, incapacidade ou outros tipos de desvantagem. Espectro significa que não existe mais ou menos autista, mas sim que é um espectro, como o círculo cromático. Mais adiante isso vai fazer mais sentido.

Alguém com TEA teve o desenvolvimento do cérebro diferente. Eu costumo brincar que em vez de meu cérebro aprender a entender linguagem corporal, focou em desenvolver minha audição, por exemplo.

Se você pensar, para um ser humano médio, apesar de um ouvido aguçado ser bom, não entender linguagem corporal é uma baita de uma desvantagem.

Espectro

Pesquisadores alistaram 50 itens que identificariam uma pessoa autista e aplicaram em pessoas dentro e fora do espectro. Aparentemente a média de itens que uma pessoa neurotípica atendia eram 25, e os autistas entre 30 e 35.

Esse estudo por si só já ajuda a embasar a famosa frase “todo mundo é um pouco autista”.